Tenho me visto ansioso para assistir ao novo filme de Fernando Meirelles, não apenas por confiar em seu trabalho, mas também por ver como ele superou (e espero que tenha superado) o desafio de adaptar Ensaio sobre a cegueira, livro que deu a José Saramago o Nobel de literatura.

O livro conta a história de uma epidemia de cegueira (conhecida como mal branco devido a cor que os cegos enxergam) que assola uma cidade toda, primeiro as pessoas infectadas são colocadas em quarentena devido a todos acreditarem que a cegueira é contagiosa, apesar de não saberem o que a ocasiona, depois as coisas saem fora de controle e contaminam praticamente toda a cidade.
O livro não parece saltar à tela ao se estar lendo. Não há uma beleza plástica aparente, pelo contrário em diversos momentos o que lemos são visões dantescas, degradantes, escatológicas, podridão nauseante, cegos sem direção ou rumo. Como transpor isso para a tela? Infelizmente só terei essa resposta dia 12 de setembro, quando o filme chega às salas brasileiras.
Por enquanto fico com o trailer que pode ser encontrado no youtube. Já podemos notar a opção de César Charlone de usar uma fotografia branca, ofuscante. Ressaltando o caráter branco da cegueira que atinge às pessoas, belíssima opção por sinal. Será que a sujeira e podridão da cidade também será transmitida através de uma fotografia que a torna bela e apreciável? Espero que não.
Essas dúvidas ficam para serem respondidas mais tarde, confio no trabalho de Meirelles para levar ao cinema essa bela obra cheia de metáforas de Saramago.
Informações sobre o filme: http://www.imdb.com/title/tt0861689/maindetails
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