Referente ao post anterior, quem estiver interessado em assistir Nós e morar em Curitiba, pode encontrá-lo na locadora Cinevídeo, na prateleira de cineastas paranaenses.

Referente ao post anterior, quem estiver interessado em assistir Nós e morar em Curitiba, pode encontrá-lo na locadora Cinevídeo, na prateleira de cineastas paranaenses.
Semana passada fui assistir a apresentação dos curtas agraciados com o edital da fundação cultural de Curitiba.
Surpreendi-me com a boa qualidade da maioria dos trabalhos, mas um em particular me chamou muito a atenção: Nós de Fábio Allon.
O curta se passa em uma espécie de galpão cheio de televisores, o ator contracena, reage e conversa com esses televisores. Há um cuidado visual apurado, criando um clima tenso com imagens surreais. A partir dos diálogos que seguem podemos chegar a diversas conclusões, seja na televisão como ícone da mídia, seus efeitos, a massificação de pensamentos, distorções de realidades, fuga, personalidades conflitantes de uma mesma pessoa e outras leituras a partir do jogo de imagens e frases que o filme propõe.
A direção do Fábio é extremamente segura, mostrando um grande domínio da câmera, sem extravagâncias que pudessem tornar o filme demasiadamente pretensioso.
Espero que Nós esteja em breve disponível em outras mídias ou sites para que mais pessoas possam conferir esse belo trabalho, e fico desde já de olho nos próximos trabalhos desse cineasta promissor.
Alguns posts atrás eu havia comentado sobre o lançamento de Eraserhead no Brasil e criticado o fato de ser em mono/fullscreen. Porém recentemente vi no blog do Merten um post animador, o qual transcrevo abaixo:
“Obrigado Merten pelos post sobre nossa Lume! Infelizmente houve um erro na contracapa do filme Eraserhead. Ele foi autorado da maneira como foi realizado, assim como todos os outros lançamentos da Lume Filmes. Está em widescreen. Quem conhece nossa pequena distribuidora sabe que respeitamos e amamos os filmes que lançamos, tentando sempre oferecer um trabalho bom de curadoria, além de sempre procurarmos no mercado externo os melhores masters e a maior quantidade de extras possíveis, no qual temos condições. Agradeço mais, a todos que estão divulgando e adquirindo nossos filmes, nesta luta que é lançar filmes de qualidade em mercado tão segmentado. E com relação a Coleção Cinema Marginal, em breve divulgaremos os filmes e o como o trabalho está sendo realizado. Mais informações no nosso site:
www.lumefilmes.com.br
Grande abraço a todos,
Frederico”
Uma pena o filme ter sido lançado com um erro desses na contracapa, mas fico contente pelo cuidado da Lume e espero em breve adquirir o meu Eraserhead para integrar minha coleção de DVDs.
Semana que vem estréia no Brasil a mais recente animação da Pixar: Wall-E.
Pelo pouco que vi no trailer a impressão que tenho é que cada vez mais a Pixar vem se superando, tanto na parte técnica quanto na ousadia. Nesse caso foi incluir poucos diálogos em um filme teoricamente infantil.
Acho difícil superar em qualidade o ultimo longa do estúdio: Ratatouille, porém tenho grande confiança de aparecer mais uma animação memorável para ver e rever.
E como a Pixar conseguiu em pouco tempo se transformar na galinha dos ovos de ouro da Disney e fez com que Steve Jobs se tornasse parte do conselho da empresa que Walt Disney fundou? Talvez a principal resposta esteja no nome de John Lasseter.
John Lasseter foi demitido da Disney, já que sua tentativa de colocar a arte em primeiro lugar não agradava os chefões da empresa. Resultado: Estruturou o, recém comprado por Steve Jobs, estúdio de computação gráfica de George Lucas e mudou a forma como as animações são mostradas para as crianças e adultos.
Tudo isso graças a uma política diferente da grande maioria das empresas, poder criativo a todos, reuniões onde todos podem opinar, criticar, serem criticados, etc. Prazos elásticos, horários flexíveis e o mais importante: Um ambiente que permita que cada integrante da Pixar se sinta dono da empresa, não como geralmente é feito no Brasil, apenas sendo incentivado isso nos emails de marketing interno da empresa.
Mais uma vez um grande exemplo de onde favorecer a liberdade em detrimento do lucro rápido gera mais lucro, ao contrário do senso comum dos gestores pré-históricos conforme já falei no meu blog Tecnosapiens. Do contrário não teríamos uma empresa que foi comprada por 10 milhões de dólares por Steve Jobs e vendida para a Disney por 7,4 bilhões. Agora digam: Uau!
Fiquem com imagens de Wall-E, Eve e sua carismática barata de estimação.



Tenho me visto ansioso para assistir ao novo filme de Fernando Meirelles, não apenas por confiar em seu trabalho, mas também por ver como ele superou (e espero que tenha superado) o desafio de adaptar Ensaio sobre a cegueira, livro que deu a José Saramago o Nobel de literatura.

O livro conta a história de uma epidemia de cegueira (conhecida como mal branco devido a cor que os cegos enxergam) que assola uma cidade toda, primeiro as pessoas infectadas são colocadas em quarentena devido a todos acreditarem que a cegueira é contagiosa, apesar de não saberem o que a ocasiona, depois as coisas saem fora de controle e contaminam praticamente toda a cidade.
O livro não parece saltar à tela ao se estar lendo. Não há uma beleza plástica aparente, pelo contrário em diversos momentos o que lemos são visões dantescas, degradantes, escatológicas, podridão nauseante, cegos sem direção ou rumo. Como transpor isso para a tela? Infelizmente só terei essa resposta dia 12 de setembro, quando o filme chega às salas brasileiras.
Por enquanto fico com o trailer que pode ser encontrado no youtube. Já podemos notar a opção de César Charlone de usar uma fotografia branca, ofuscante. Ressaltando o caráter branco da cegueira que atinge às pessoas, belíssima opção por sinal. Será que a sujeira e podridão da cidade também será transmitida através de uma fotografia que a torna bela e apreciável? Espero que não.
Essas dúvidas ficam para serem respondidas mais tarde, confio no trabalho de Meirelles para levar ao cinema essa bela obra cheia de metáforas de Saramago.
Informações sobre o filme: http://www.imdb.com/title/tt0861689/maindetails
Neste post gostaria de dar a dica de um excelente curso de história do cinema em Curitiba, ministrado pelo professor Fabio Pinheiro no studio Botteri, o qual estou fazendo e me permitiu conhecer muito mais sobre a sétima arte.
O curso aborda a história do cinema, partindo de antes dos Lumière, passando pelo cinema clássico, vanguardas, entre outras. Transmitindo essas informações de forma clara, com trechos de filmes de cada época, recomendando filmes, bibliografias, apresentando termos técnicos e permitindo que o aluno desenvolva uma visão mais apurada para melhor apreciar a sétima arte.
No curitibainterativa podem ser conferidos os depoimentos de quem já fez o curso aqui:
Quem se interessar e quiser saber mais pode consultar os sites:
Studio Botteri: http://www.studiobotteri.com.br/
Blog do Fabio Pinheiro: http://quasenove.blogspot.com/
Rober Machado
O título desse post pode parecer o nome de algum filme de terror bem trash, mas ficaria melhor num documentário sobre a exibição de filmes nos cinemas. Atualmente, a toda carreira comercial de um filme é decidida no seu primeiro final de semana. Se não for muito bem ou ficar abaixo do esperado, imediatamente o filme é classificado como fracasso, independentemente de sua qualidade ou quanto irá arrecadar posteriormente. Além disso, a arrecadação do primeiro final de semana já determina quanto tempo o filme ficará em cartaz.
Isso não ocorre somente no circuito comercial, o circuito alternativo também segue essas regras, só os números são diferentes. A arrecadação até determina se um filme com poucas cópias será lançado em outras capitais além de Rio e São Paulo.
Praticamente não existe mais espaço para um filme ganhar público através do boca-a-boca, filmes que começam com pouco público e vão virando sucesso através de indicações de outras pessoas. Ainda acontecem alguns casos assim, mas são bens raros, e quando acontecem é porque teve um público razoável no primeiro final de semana que permitiu o filme ficar mais um tempo em cartaz.
Outro fator que interfere é o fato que a chamada “janela de lançamento”, ou seja, o intervalo entre o lançamento no cinema e em DVD, que cada vez mais curto. Normalmente é de seis meses, mas existem casos de tempo menor. Até acontece de filmes com poucas cópias que demoram para circular e entram em cartaz em algumas cidades depois de serem lançados nas locadoras.
Tudo isso sem contar que o filme pode estar disponível na Internet para download antes mesmo de sua estréia oficial.
Por isso, quem quiser ver um filme no cinema e que não seja um grande sucesso de bilheteria é bom correr porque logo sai de cartaz. Mesmo porque existe uma fila enorme de filmes para serem lançados e não há espaço (e talvez público) para todos, mas isso já outro assunto.
Em uma edição recente do Oscar o tema tratado era sobre os épicos e a importância de assisti-los na tela grande, falavam de como não se podia reproduzir a imersão da sala de cinema em casa, entre outros discursos empolgados. Tudo isso porque Hollywood está vendo uma diminuição de público nas suas salas e quer de qualquer forma trazer de volta para as poltronas confortáveis em salas cheirando pipoca.
O barateamento dos televisores de alta definição, a chegada de mídias de alta qualidade, entre outros fatores, contribuem significativamente para as pessoas trocarem cada vez mais as salas de cinema pelo conforto da sala. E como fazer esse público abandonar esse conforto?
A Disney e outros estúdios apostam no cinema 3D. Recentemente a Disney anunciou a produção de 8 filmes para salas com capacidade de exibição 3D. Entre eles as continuações Pixarianas de Toy Story e Carros. Com isso a Disney pretende apresentar algo que não pode ser exibido em nenhuma tevê de alta definição e retomar o publico que já não se encanta mais o suficiente para deixar suas casas e ir aos cinemas.
Outros grandes nomes como James Cameron e George Lucas apostam no formato, e investem para os tornarem populares, ou seja, a munição está pesada para reacender o gosto do público e não precisar mais de apelações oscarianas, e logo (ou não tão logo levando em conta nossas escassas salas) veremos Uma nova esperança pela trigésima vez, porém em 3D.
Infelizmente o Brasil, que já possui uma enorme carência por salas de cinema, quase não possui salas que possam exibir filmes em 3D (Só tenho conhecimento de uma sala no Eldorado em SP e uma para abrir no segundo semestre em Curitiba). Assim muitos tardarão a comprovar se a experiência de assistir um filme em 3D é mesmo incomparável às salas convencionais e certificar se recuperaremos aquela sensação de encanto que nos assolou em nossas primeiras sessões cinematográficas.
Continuando o assunto do post anterior, talvez um país que o Brasil pudesse aprender sobre como fortalecer o cenário local de cinema seja a Coréia do Sul. O país ocupa mais da metade de suas salas com produções locais, em parte graças a reserva de mercado, idéia que não me agrada muito, mas acredito que podemos tirar outras lições do mercado cinematográfico sul-coreano.

Este artigo de 2007 sobre a mostra de cinema de Pusan mostra com mais detalhes esse perfil local e algumas iniciativas que a Coréia do Sul tomou para essa alavancagem do seu cinema.
Há dois pontos que gostaria de salientar, os quais não concordo.
Apesar desses pontos, é um mercado a ser analisado mais profundamente por nossos realizadores do meio cinematográfico, e no qual podemos retirar boas idéias aplicáveis à nossa realidade.
A estréia dos filmes Homem de ferro e Speed Racer tomou de assalto às cidades brasileiras, juntos estes dois longas ocupam cerca de metade das poucas salas de cinema do Brasil, um dado lastimável, que ilustra bem o monopólio de Hollywood no mercado nacional de cinema.
No inicio do cinema como indústria, alguns produtores descontentes com o monopólio dos estúdios de Nova York resolveram se mudar para Los Angeles, ali fundaram Hollywood e iniciaram um outro monopólio, muito maior por sinal, esse fato, além de ilustrar como o poder corrompe, ainda mostra que esse domínio vem de longa data.
Como fazer para mostrarmos a um público acostumado com os cinemas preenchidos com super produções que existe vida fora de Hollywood? Será que é simplesmente a nossa ausência de público que afasta esses filmes de serem exibidos e quando o são se restringe às duras cadeiras de um cinema alternativo mal conservado?
Precisamos levar ao publico alternativas sem parecer pedante, reformar nossas salas empoeiradas para receberem um público acostumado a poltronas reclináveis e ar condicionado e divulgarmos de forma abrangente sem precisar criar cotas específicas, nem ficarmos acanhados com medo destes filmes se tornarem mainstream.
Ampliar a participação da iniciativa privada nas salas de cinema públicas, permitindo uma melhora de sua qualidade seria um bom começo para atrairmos um publico que torce o nariz para os ambientes muitas vezes dignos de filmes de terror.
Melhorar a forma de divulgação, utilizando canais que cheguem até uma fatia realmente grande da população, não dependendo apenas do cinéfilo que procura sempre estar informado correndo atrás dessas informações.
Utilizar a tática de todo multiplex atualmente, que é ganhar dinheiro com a bomboniere. Revertendo esse ganho com reformas e melhorias constantes nas salas.
A cultura não chega ao brasileiro porque ele não consome cultura ou o brasileiro não consome cultura porque ela não chega a ele?
O espaço está aberto para debates, sugestões, críticas, opiniões avulsas, etc. Quem sabe encontramos uma solução para que vejamos uma programação mais multicultural em nossas salas consumidas pelos blockbusters.